O Bardamé!

Hélas! Eis a pérola da blogosfera! Passe a imodéstia q é mta! Inspirado obviamente na melhor tradição blogueira, td blogs mui sérios e elevados, o BARDAMÉ!, parte da ideia de q "pisar merda dá sorte", e tem como único desiderato o de cagar em cima de normas de fabrico, padrões de qualidade, exigências de bom gosto, etc e tal, para publicar textos carregados de boutades e mts dislates. Peças de escritores são admitidas, m só se forem boas. Assim é o BARDAMÉ. Bardamé pra isto td!

Monday, April 25, 2005

Apoteose

Depois de ter chegado do Vaticano preciso de descansar um bocado. Foi muito convívio social, mexericos e comida e preciso de pôr a minha escrita em dia.
Assisti à posse do Bento XVI, o ex-cardeal que pertenceu à juventude hitleriana e que, alegadamente, foi escolhido pela graça do Espírito-Santo para chefiar a Igreja Católica.
Fui convidado por uns amigos muito bem colocados da minha secretária pessoal, a Dra. Ivete. Atraente e sexy, como sempre, e como fervorosa católica que é, a Ivetinha foi vestida de branco (mas já não é virgem). Confesso que não é uma cor que lhe fique muito bem, prefiro o vermelho, tipo as chamas do inferno, mas ela disse-me que tinha de ser dessa cor porque é católica, e não quis aborrecimentos. Fui de preto.
Acomodámo-nos entre as múltiplas cadeiras VIP e o chefe de protocolo tratou-nos de tudo, enquanto dava para ouvir a confusão dos outros fiéis a bater-se a um bom lugar. Estava no meio de um bando de notáveis, e eis que o nosso Primeiro-Ministro nos veio cumprimentar e perguntei-lhe: “Então por aqui, Sr. Engenheiro?”, respondeu “Vim em representação de Portugal.” Com essa é que fiquei pasmado, agora o Estado é católico? Julgava que fosse laico… Hei-de perguntar isso ao Cônsul Mendonça, que percebe mais destes assuntos que eu. Poderia também tentar o Bispo da Horta, mas ele fica sempre muito perturbado quando procuramos questionar dogmas da Igreja. Reparei que o José Barroso também se aproximava na minha direcção mas um padre imberbe pediu silêncio porque a cerimónia ia começar. Foi pena porque queria perguntar-lhe o que achou da Grécia…
Santificadamente chegou o rottweiler com a sua corja habitual. Tivemos de levantar-nos todos e os desequilibrados aplausos pelos não-sei-quantos histéricos fiéis que estavam do outro lado da Piazza eram ensurdecedores (do outro lado, claro, a malta não se mistura, apesar de todos sermos iguais aos olhos de Deus). Vinha vestido de ouro e apoteose, mais parecia a chegada de Cleópatra a Roma, com escravos e tudo. Parecia que estavam a aplaudir um guru, e começaram a bater palmas por tudo e por nada. Todos menos eu (também não se ouviu). Todos menos eu porque recordava o anterior Papa e a mensagem de paz que me transmitia, não obstante a veia conservadora e retrógada, a veia ratzinguiana, que sempre lhe foi associada e que, lamentavelmente, o acompanhou até ao fim.
Palmas para o novo Chefe de Estado! Só espero que tenham o bom senso de não convidar um fascista, e respectiva Gestapo, para visitar Portugal, a expensas do povo.

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