A mensagem
A mensagem de ano novo de Sua Ex.ª o Presidente da República, para não variar das habituais intervenções, de inovador apenas tinha o cenário, que confesso não percebi do que se tratava, talvez este ano seja o ano da indústria do vidro. Diferente do pesado e formal antro monárquico de Belém, a Presidência talvez queira dar sinal de acompanhar os tempos, o que me recordou uma hilariante reportagem em que a Rainha Isabel II de Inglaterra convivia num pub com os noctívagos, dando um ar de moderna e de todos os britânicos e, simultaneamente, apática e desenquadrada.
O Presidente, europeísta convicto, começou a homilia pronunciando-se sobre a Europa, a respectiva crise, e lamentou o projecto de Constituição. Sobre este tema disse, nas entrelinhas, que a culpa era de França e da Holanda, portanto, na lógica presidencial, esses países estão completamente errados e Portugal é que vai no bom caminho e percebe verdadeiramente do assunto. Tão bem vai este país que nunca se dignou a referendar fosse o que fosse em matéria de Europa, chapou-nos com a Europa e pronto, portanto, também este malogrado projecto de Constituição não foge à regra. Não se pronunciou, nem poderia, sobre a passividade nacional que bebe do manneken-pis, pois não vemos resolvida a agricultura e pescas (e não é com mais uns milhões que se vai conseguir), nem fazer valer os nossos direitos e ambições. Após 20 anos de passividade sexual e cosmética de betão, este país acha-se o aluno cumpridor e exemplar, à boa maneira da ideologia salazarista quando se sentava na célebre cadeira. Portugal é, assim, o estagiário permanente que receia desiludir o orientador europeu (esse assunto é tão agradável que até o camaraman teve o bom-senso de afugentar a bandeira europeia). Perigosamente, começando a falar na Europa, poderá ser dada a leitura de que esta situação é mais importante para o Presidente que o nosso país.
Em matéria nacional, fomos recordados que exerceu o seu mandato atendendo aos ideais de Abril – eu e muitos cidadãos não notámos isso, mas passemos à frente –, garantindo sempre agir em prol da Constituição. Não se tente dourar a pílula, pois até parece que tivemos um Presidente altamente interventivo e preocupado com as questões nacionais, quando essas lamechosas intervenções mais pareciam homilias urbi et orbi, salvaguardando-se a magnífica noite em que dissolveu a Assembleia da República do arraial santanista. Olvidou o facto de promulgar diplomas que contravertem o espírito da Constituição, como é o caso do vergonhoso Código do Trabalho, dos decretos em que obriga a pagar quem menos tem, de perdoar, em termos de fiscalidade, empresas em dívidas, etc., à medida que o país se aproximava dos cerca de 20% com população pobre e das 200 000 pessoas com fome, mas sempre alertando para a importância do papel das empresas no arranque da nossa economia. Isto prova, nitidamente, que as pessoas cada vez contam menos, e que os euros, e quem os origina, é que importam para o bem-estar da nação. Quem disse, outrora, que a o défice não deve ser obsessivo, mostra sério respeito pelo ditado “ouve o que eu digo, não faças o que eu faço” e, volta e meia, lá vinham mais apelos a isto e àquilo, sem esquecer as despropositadas lágrimas. Ora note-se que quando Macau passou para a China a comoção foi tamanha, contrariamente com a seca lacrimal aquando do contacto com populações pobres e na miséria, com os desalojados e desprotegidos, e poderíamos ir adiante…
Mais intrigante, e simultaneamente, hilariante, foi a recordatória que o Presidente era o topo da pirâmide, quando o Dr. Mário Soares nos recordou nos debates que educação, cultura, ambiente, finanças e economia, etc., são competências do Governo, nas quais o Presidente não se pode imiscuir. Com tanta polémica à volta da questão, muito boa gente se indaga sobre o porquê de termos um Presidente para garantir esse cumprimento, se também temos Tribunais para garanti-lo.
Os mandatos de Sampaio apoiaram as políticas governativas e apelaram inúmeras vezes a tudo e a todos os que o rodeiam mas, simultaneamente, promulgaram leis contraditórias. A ridícula mensagem termina com um caricato e optimismo de que todos vamos conseguir pôr o país a avançar! Portanto, entenda-se, vamos todos ajudar e apoiar as medidas do Governo!
O Presidente, europeísta convicto, começou a homilia pronunciando-se sobre a Europa, a respectiva crise, e lamentou o projecto de Constituição. Sobre este tema disse, nas entrelinhas, que a culpa era de França e da Holanda, portanto, na lógica presidencial, esses países estão completamente errados e Portugal é que vai no bom caminho e percebe verdadeiramente do assunto. Tão bem vai este país que nunca se dignou a referendar fosse o que fosse em matéria de Europa, chapou-nos com a Europa e pronto, portanto, também este malogrado projecto de Constituição não foge à regra. Não se pronunciou, nem poderia, sobre a passividade nacional que bebe do manneken-pis, pois não vemos resolvida a agricultura e pescas (e não é com mais uns milhões que se vai conseguir), nem fazer valer os nossos direitos e ambições. Após 20 anos de passividade sexual e cosmética de betão, este país acha-se o aluno cumpridor e exemplar, à boa maneira da ideologia salazarista quando se sentava na célebre cadeira. Portugal é, assim, o estagiário permanente que receia desiludir o orientador europeu (esse assunto é tão agradável que até o camaraman teve o bom-senso de afugentar a bandeira europeia). Perigosamente, começando a falar na Europa, poderá ser dada a leitura de que esta situação é mais importante para o Presidente que o nosso país.
Em matéria nacional, fomos recordados que exerceu o seu mandato atendendo aos ideais de Abril – eu e muitos cidadãos não notámos isso, mas passemos à frente –, garantindo sempre agir em prol da Constituição. Não se tente dourar a pílula, pois até parece que tivemos um Presidente altamente interventivo e preocupado com as questões nacionais, quando essas lamechosas intervenções mais pareciam homilias urbi et orbi, salvaguardando-se a magnífica noite em que dissolveu a Assembleia da República do arraial santanista. Olvidou o facto de promulgar diplomas que contravertem o espírito da Constituição, como é o caso do vergonhoso Código do Trabalho, dos decretos em que obriga a pagar quem menos tem, de perdoar, em termos de fiscalidade, empresas em dívidas, etc., à medida que o país se aproximava dos cerca de 20% com população pobre e das 200 000 pessoas com fome, mas sempre alertando para a importância do papel das empresas no arranque da nossa economia. Isto prova, nitidamente, que as pessoas cada vez contam menos, e que os euros, e quem os origina, é que importam para o bem-estar da nação. Quem disse, outrora, que a o défice não deve ser obsessivo, mostra sério respeito pelo ditado “ouve o que eu digo, não faças o que eu faço” e, volta e meia, lá vinham mais apelos a isto e àquilo, sem esquecer as despropositadas lágrimas. Ora note-se que quando Macau passou para a China a comoção foi tamanha, contrariamente com a seca lacrimal aquando do contacto com populações pobres e na miséria, com os desalojados e desprotegidos, e poderíamos ir adiante…
Mais intrigante, e simultaneamente, hilariante, foi a recordatória que o Presidente era o topo da pirâmide, quando o Dr. Mário Soares nos recordou nos debates que educação, cultura, ambiente, finanças e economia, etc., são competências do Governo, nas quais o Presidente não se pode imiscuir. Com tanta polémica à volta da questão, muito boa gente se indaga sobre o porquê de termos um Presidente para garantir esse cumprimento, se também temos Tribunais para garanti-lo.
Os mandatos de Sampaio apoiaram as políticas governativas e apelaram inúmeras vezes a tudo e a todos os que o rodeiam mas, simultaneamente, promulgaram leis contraditórias. A ridícula mensagem termina com um caricato e optimismo de que todos vamos conseguir pôr o país a avançar! Portanto, entenda-se, vamos todos ajudar e apoiar as medidas do Governo!

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