Il Bugiardo
Acabo de saber da nova descoberta nas catacumbas de La Fenice, em Veneza. Trata-se de uma ópera que esteve escondida estes anos sob uma estaca e preservada pelas águas do Adriático e faz as delícias dos críticos italianos, que a atribuem a Verdi, e é de seu nome Il Bugiardo ou O Mentiroso, em português. Mas também não faz sentido traduzirmos La Traviata para A Decadente….
Retrata a história de um país que vivia tempos de crise, total descrédito e descontentamento, e cujo povo esperava melhores dias e por um salvador que lhes devolvesse a esperança de outrora. O I Acto remonta ao passado desse país, desde um ditador implacável aos tempos de Cherno, governador incapaz que, temendo a fúria do povo, fugira para um reino vizinho deixando como sucessor um seu amigo sequioso de poder, Santani (baixo). Totalmente inexperiente, este sucessor transforma o Estado num desgoverno total e as reuniões do conselho transformam-se em verdadeiros bailes de máscaras até que o líder espiritual, Giorgio (tenor) reuniu os seus poderes mágicos e incitou o povo a insurgir-se contra o governador, terminando o I Acto com este apelo e com o início da rebelião popular.
No II Acto surge-nos Socraticcio (contratenor) que, vislumbrando uma possibilidade de ser governador, suplica e arma-se em vítima perante o povo e incute-lhes que é capaz de melhorar a situação se todos o apoiarem, prometendo mundos e fundos, entre os quais o não sobrecarregar o povo de impostos e garantir que todos vivam bem. O povo, sentimental e esperando melhores condições de vida, apoia-o incondicionalmente pelas várias terras, confiando numa derrota de Santani. E assim sucedeu, a derrota foi esmagadora e, numa comovente ária, este assume com dificuldade o fracasso e volta aos seus trabalhos no campo. Mas, para surpresa de tudo e todos, Socraticcio, agora a governar, anunciou ao povo ser, afinal, um guardião de um anterior governador falhado, conhecido por Il Ritardato, desdisse o que lhes prometera e, em plenário, no meio de gargalhadas e aplausos, com o apoio dos seus correligionários, num faustoso coro em que alega defender valores de esquerda, regozija-se e resolve extorquir ao povo mais impostos e regalias adquiridas, encerrando com pompa e circunstância o II Acto.
No breve III Acto, o povo, com um comovente coro de escravos – o verdadeiro, pois o autor não resistiu a tamanha comoção e posteriormente imortalizou-o em Nabucco, daí os especialistas italianos entenderem o “desaparecimento” desta ópera – , derrotado e desiludido, canta ansiando por melhores dias e encerra-se o III Acto com este gran finale que, posteriormente, nos tempos do Risorgimento italiano foi adoptado como hino de sucesso contra o Império Austro-Húngaro.
O Ministério da Cultura italiano subsidiou de imediato esta produção e, segundo fuga de informação, pensa-se já no grande êxito que esta obra terá no meio dos portugueses.
Retrata a história de um país que vivia tempos de crise, total descrédito e descontentamento, e cujo povo esperava melhores dias e por um salvador que lhes devolvesse a esperança de outrora. O I Acto remonta ao passado desse país, desde um ditador implacável aos tempos de Cherno, governador incapaz que, temendo a fúria do povo, fugira para um reino vizinho deixando como sucessor um seu amigo sequioso de poder, Santani (baixo). Totalmente inexperiente, este sucessor transforma o Estado num desgoverno total e as reuniões do conselho transformam-se em verdadeiros bailes de máscaras até que o líder espiritual, Giorgio (tenor) reuniu os seus poderes mágicos e incitou o povo a insurgir-se contra o governador, terminando o I Acto com este apelo e com o início da rebelião popular.
No II Acto surge-nos Socraticcio (contratenor) que, vislumbrando uma possibilidade de ser governador, suplica e arma-se em vítima perante o povo e incute-lhes que é capaz de melhorar a situação se todos o apoiarem, prometendo mundos e fundos, entre os quais o não sobrecarregar o povo de impostos e garantir que todos vivam bem. O povo, sentimental e esperando melhores condições de vida, apoia-o incondicionalmente pelas várias terras, confiando numa derrota de Santani. E assim sucedeu, a derrota foi esmagadora e, numa comovente ária, este assume com dificuldade o fracasso e volta aos seus trabalhos no campo. Mas, para surpresa de tudo e todos, Socraticcio, agora a governar, anunciou ao povo ser, afinal, um guardião de um anterior governador falhado, conhecido por Il Ritardato, desdisse o que lhes prometera e, em plenário, no meio de gargalhadas e aplausos, com o apoio dos seus correligionários, num faustoso coro em que alega defender valores de esquerda, regozija-se e resolve extorquir ao povo mais impostos e regalias adquiridas, encerrando com pompa e circunstância o II Acto.
No breve III Acto, o povo, com um comovente coro de escravos – o verdadeiro, pois o autor não resistiu a tamanha comoção e posteriormente imortalizou-o em Nabucco, daí os especialistas italianos entenderem o “desaparecimento” desta ópera – , derrotado e desiludido, canta ansiando por melhores dias e encerra-se o III Acto com este gran finale que, posteriormente, nos tempos do Risorgimento italiano foi adoptado como hino de sucesso contra o Império Austro-Húngaro.
O Ministério da Cultura italiano subsidiou de imediato esta produção e, segundo fuga de informação, pensa-se já no grande êxito que esta obra terá no meio dos portugueses.

2 Comments:
Caros amigos... Não contem comigo para cunhas! Não tenho qualquer influência no Ministério da Cultura! Já no meu... é outra conversa. Seria como pedir ao bom amigo Bispo para fazer encomendar a alma de alguém para o Inferno!
Caro Bispo, isso não é pecado?
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