Nota de salvaguarda: Como recordou, e bem, o Cônsul Mendonça, com o presente post não se visa o incitamento ao terrorismo nem sequer à violência, apenas um comentário vindo de um ancião cidadão descontente e indignado, em parte pela excessiva carga fiscal que persiste dominar Portugal e que apenas engorda não se sabe muito bem quem, e escrito ao bom estilo inflamado deste muy nobre espaço de opinião: O Bardamé!, o blog!
É apenas uma humilde opinião sobre o encerramento dos Serviços de Atendimento Permanente, os SAP. Após leitura de um ilustre pasquim, deparei-me com uma citação proveniente do Ministério da Saúde, onde se lê que a decisão de encerramento dos SAP de Alijó e Anadia é “para o melhor das populações. Em Anadia e Alijó, os serviços que vão encerrar não reuniam as condições adequadas a um serviço de urgência”.
Perante entendimento de tão sapiente Ministério, é apenas um problema de adequabilidade. Então, os utentes de Anadia e Alijó, a par das de Armamar, Castro Daire, Cinfães, Mangualde, Mortágua, Resende, Santa Comba Dão, S. João da Pesqueira, Vouzela, Fundão e outras, não tendo SAP "adequados", estiveram todo este tempo a usufruir de instalações inadequadas, porventura mal habituados e, por motivos alheios, a Inspçecção-Geral das Actividades em Saúde nem deu por isso! Atendendo às manifestações de rua, na óptica ministerial, não se entende, então, o porquê desse descontentamento, quando apenas se visa uma melhoria do serviço público!
Note-se que as nossas urgências até primam por elevadas condições de higiene, segurança e simpatia médico-administrativa, algo frequentemente publicitado nos aeroportos! No entender do Ministério, mais adequada será a deslocação a uma urgência longínqua, algumas a mais de 100 km, que manter um SAP local aberto? Não sei. Terá o infeliz utente de apenas ser recebido numa instalação "adequada" em vez de auferir de rápida prestação médica? Não sei, mas sei que o utente, na impossibilidade de ser transportado em veículo dos Bombeiros, tem de pagar a deslocação do seu bolso!
Colocaram-nos a questão de saber como aproveitar os SAP recentemente edificados que, por ironia do destino, verão as suas portas fechadas. O Bardamé!, o blog, sempre ciente da sua verdadeira participação cívica (não nos ficamos por movimentos), apresenta sugestões: eis uma óptima oportunidade para novos espaços públicos nos outrora SAP se estes forem reconvertidos em museus municipais (nota: nada de papalvices, se forem museus nacionais a receita vai para o Ministério da Cultura)! Aí está uma óptima oportunidade para classificar novos monumentos e recordar os idos e gloriosos tempos em que havia dignidade na pessoa humana e, também, assistência médica local. O Bardamé!, o blog, também se lembrou ser, assim, uma óptima oportunidade umas candidaturas a mais programas POLIS, dado ninguém saber muito bem o que são. Mais, por que não a criação de um circuito nacional de jogging, a inaugurar, cinicamente, por um seu fervoroso adepto e sob o slogan "circuitos SAP: corra lá fora cá dentro!"?
Esquece-se o Ministério (e o Governo, convenhamos) que a realidade portuguesa não é a realidade alfacinha! Em Portugal há carência de infra-estruturas, meios humanos e financeiros. Há aldeias recônditas. Há solidão. Há pessoas pobres e miseráveis.
Aqui, em Montesinho, o cenário é este: somos uns para os outros e valha-nos isso! É que SAP, nem vê-lo e se quiser urgência, meto-me no carro de bois e rumo a Bragança pelos acessos que bem sabemos. Ao menos em Bragança terei um serviço "adequado"! Por isso, façam como eu: peguem na vossa secretária pessoal, no meu caso a Dra. Ivete, atravessem a ribeira que serve de fronteira e entrem em terras de Espanha (Rihonor de Castilla sempre está um passo adiante), pois lá têm, de facto, um verdadeiro direito constitucional à saúde. OLÉ!