O Bardamé!

Hélas! Eis a pérola da blogosfera! Passe a imodéstia q é mta! Inspirado obviamente na melhor tradição blogueira, td blogs mui sérios e elevados, o BARDAMÉ!, parte da ideia de q "pisar merda dá sorte", e tem como único desiderato o de cagar em cima de normas de fabrico, padrões de qualidade, exigências de bom gosto, etc e tal, para publicar textos carregados de boutades e mts dislates. Peças de escritores são admitidas, m só se forem boas. Assim é o BARDAMÉ. Bardamé pra isto td!

Thursday, June 30, 2005

Portugal nuclear ou a… carvão?

Viva, caros amigos leitores!
Vi hoje no Telejornal que há um consórcio de empresários interessados em construir uma central de energia nuclear no nosso país. Estranho, direi eu! A motivação apresentada é o corrente elevado custo da energia eléctrica no país e uma outra vantagem seria ainda a de minimizar a elevada dependência nacional dos combustíveis fósseis. Até porque temos minas que poderão fornecer matéria-prima.
O verdadeiro problema quanto a mim, será a mão-de-obra e não a matéria-prima. Num país em que caem pontes e viadutos por incúria, será de admitirmos esta perigosa possibilidade? Não será melhor a alternativa norte-americana, que para se libertar da dependência externa dos combustíveis fósseis vai investir uns biliões em… carvão? (é mesmo verdade! - deve ter sido ideia do Iluminado presidente). Será que esta abordagem menos tecnológica não será a melhor solução para nós? É que se houver “fuga” de carvão, manda-se alguém varrer…
Desconfio imenso da nossa capacidade técnica. Mais seguro ainda não será investirmos nas energias ditas limpas? Sol e vento não nos faltam no país. E são seguras - não é necessária grande intervenção humana…
Mas voltando ao nuclear e aquela minha predica sobre os submarinos do nosso ex-ministro da defesa…
Volto a insistir na ideia do porta-aviões nuclear soviético. E já que estamos nessa onda, não terá sido ainda pior ideia do que se pensava a encomenda da sucata submarina? Por mais tuta e meia, tenho a certeza que se conseguiria um bom negócio por dois ou três submarinos nucleares, junto com o dito porta-aviões. Já que se aventa a ideia do nuclear para o nosso país, que seja o naipe completo! Avante!
Eis a questão que se levanta- Portugal nuclear ou (continuarmos) a… carvão?
Comentários são benvindos

Wednesday, June 22, 2005

Quem disse "palavras leva-as o vento"?

Eu percebi a indirecta do Cônsul Mendonça e do Bispo da Horta. Não sou como alguém que também percebeu a mensagem dos portugueses e deu de frosques para Bruxelas. Eu não! Entendi o que os meus velhos amigos de guerra pretendiam e vou dizer de minha justiça. Durante estes anos recusei contar como havia conhecido a Dra. Ivete, a minha secretária, mas esta pressão torna-se já sufocante e não aguento mais não partilhar esse grandioso dia em que tive a oportunidade de conhecê-la.
Estava eu sentado a ler na varanda e a usufruir desta maravilhosa quinta que tenho na bela Serra de Montesinho – a propósito, aproveito para publicitar o mel muito bom que se faz cá na terra, à venda nas grandes superfícies – quando o mordomo me traz uma carta registada na ancestral salva de prata que serve para levar o correio. Abri a carta e li o pedido para uma entrevista para o lugar de secretária, que havia pedido a uma empresa de recursos humanos.
O curriculum da Dra. Ivete era muito bom e tratei de marcar uma entrevista. À hora e data marcadas, o sino da quinta anunciou a sua chegada e apenas tive tempo de ver um BMW topo de gama a estacionar antes de me sentar na cadeira e fingir ler uns papéis.
Então, qual não é o meu espanto ao ver entrar no meu escritório uma mulher lindíssima que punha a minha mulher, e muitas outras, a um canto. Era jovem, alta, pele clara e cabelos castanhos e ondulados, olhos claros e muito bem pintados, boca perfeita, sensual e erótica, um pescoço que merecia ser coberto de jóias caríssimas e clássicas. Os ombros não deu para ver porque estava com um tailleur mas consegui mirar parte dos voluptuosos atributos físicos e do top que os tapava. As pernas sedosas e esbeltas pareciam ser esculpidas de deleite e os sapatos altos ficavam mesmo bem nuns pés que imaginei refinados e lavados com sumo de frutas. Quando a vi levantei-me da cadeira – pois ainda sou do tempo em que nos levantávamos quando entrava uma senhora – nem receei que topasse a minha nítida prova de excitação ao vê-la, mas foi quando dei uma forte joelhada na esquina na mesa de pau santo. “Merda!”, disse de seguida, levando as mãos ao joelho e caindo de costas na cadeira, começando a gemer de dor.
Prontamente a Dra. Ivete, consternada e muito preocupada com a situação, foi logo saindo à procura de ajuda. E só aí reparei na igualmente aprazível vista traseira da Dra. Ivete, as suas curvas bem redondas, o seu andar provocante e olhar felino que me deitou antes de abandonar a sala.
Mais recomposto, e com um saco de gelo no joelho, colocado pela própria Dra. Ivete, que já ia revelando aptidão profissional para primeiros socorros e massagens, nem me propus a debater o seu curriculum, pois não poderia deixar voar uma tão boa profissional, em todos os sentidos, e nem precisei de debater o salário, pois tive logo a certeza que poderia a Dra. Ivete pedir o que quisesse que seria logo aceite. Nessa noite – tão querida que é a Dra. Ivete – até me ligou para saber do meu joelho.
A minha mulher é que não gostou muito quando lhe disse ter uma secretária e quando lhe falei no ordenado começou logo a ripostar, dizendo que quando era Directora na Administração Pública não ganhava tal salário, nem nada que se parecesse, e até me chamou – vejam bem! – velho depravado. Se fosse nos tempos dos primórdios do nosso enlace, tinha-lhe logo perguntado se não havia pratos para lavar na cozinha.
O certo é que a partir desse momento nunca mais me consegui separar da Ivetinha e cada vez mais a acho competente, boa profissional, meiga, generosa, terna, inovadora nalguns aspectos e, acima de tudo, muito minha amiga, para além de sensual, charme, bom gosto, classe, cultura, enfim… posso contar com ela para tudo, mesmo tudo.
Portanto, não falem só na merda que está no chão nem da do ar, mas também na merda verbal que, convenhamos, também dá sorte.

Sunday, June 19, 2005

Il Bugiardo

Acabo de saber da nova descoberta nas catacumbas de La Fenice, em Veneza. Trata-se de uma ópera que esteve escondida estes anos sob uma estaca e preservada pelas águas do Adriático e faz as delícias dos críticos italianos, que a atribuem a Verdi, e é de seu nome Il Bugiardo ou O Mentiroso, em português. Mas também não faz sentido traduzirmos La Traviata para A Decadente….
Retrata a história de um país que vivia tempos de crise, total descrédito e descontentamento, e cujo povo esperava melhores dias e por um salvador que lhes devolvesse a esperança de outrora. O I Acto remonta ao passado desse país, desde um ditador implacável aos tempos de Cherno, governador incapaz que, temendo a fúria do povo, fugira para um reino vizinho deixando como sucessor um seu amigo sequioso de poder, Santani (baixo). Totalmente inexperiente, este sucessor transforma o Estado num desgoverno total e as reuniões do conselho transformam-se em verdadeiros bailes de máscaras até que o líder espiritual, Giorgio (tenor) reuniu os seus poderes mágicos e incitou o povo a insurgir-se contra o governador, terminando o I Acto com este apelo e com o início da rebelião popular.
No II Acto surge-nos Socraticcio (contratenor) que, vislumbrando uma possibilidade de ser governador, suplica e arma-se em vítima perante o povo e incute-lhes que é capaz de melhorar a situação se todos o apoiarem, prometendo mundos e fundos, entre os quais o não sobrecarregar o povo de impostos e garantir que todos vivam bem. O povo, sentimental e esperando melhores condições de vida, apoia-o incondicionalmente pelas várias terras, confiando numa derrota de Santani. E assim sucedeu, a derrota foi esmagadora e, numa comovente ária, este assume com dificuldade o fracasso e volta aos seus trabalhos no campo. Mas, para surpresa de tudo e todos, Socraticcio, agora a governar, anunciou ao povo ser, afinal, um guardião de um anterior governador falhado, conhecido por Il Ritardato, desdisse o que lhes prometera e, em plenário, no meio de gargalhadas e aplausos, com o apoio dos seus correligionários, num faustoso coro em que alega defender valores de esquerda, regozija-se e resolve extorquir ao povo mais impostos e regalias adquiridas, encerrando com pompa e circunstância o II Acto.
No breve III Acto, o povo, com um comovente coro de escravos – o verdadeiro, pois o autor não resistiu a tamanha comoção e posteriormente imortalizou-o em Nabucco, daí os especialistas italianos entenderem o “desaparecimento” desta ópera – , derrotado e desiludido, canta ansiando por melhores dias e encerra-se o III Acto com este gran finale que, posteriormente, nos tempos do Risorgimento italiano foi adoptado como hino de sucesso contra o Império Austro-Húngaro.
O Ministério da Cultura italiano subsidiou de imediato esta produção e, segundo fuga de informação, pensa-se já no grande êxito que esta obra terá no meio dos portugueses.

Thursday, June 16, 2005

Sugestão de férias

Caríssimos leitores, as férias de Verão estão quase aí a rebentar! Por esse motivo, este blog, para provar a sua utilidade para toda a família, recomenda o seguinte parque temático para umas férias bem originais: www.balticsww.com/stalin_world.htm
Aceitam-se comentários...

Wednesday, June 15, 2005

A César o que é de César...

Caro amigo Bispo da Horta...
Vossa Eminência certamente leu apressadamente o meu texto. Até porque se enganou na minha pessoa- fui eu, o seu amigo de longa data Mendonça, que aqui deixou aquele singelo pensamento, e não o nosso tão estimado Comendador...
Mas decerto não compreendeu na totalidade o texto. E até me atrevo, com todo o respeito e admiração que me merece, a dizer porquê.
Não seria normal para um Homem de Deus compreender o sentido destas coisas mundanas. Em matérias do espírito Vossa Eminência dá cartas... mas a César o que é de César!
Vossa Eminência, a meu ver, na situação em questão, deveria ter deixado as caridosas Freirinhas resolverem-lhe o problema que o inibiu. Certamente, e após uma recepção tão calorosa, depois dumas festinhas na tonsura, os espíritos ficariam muito mais desinibidos... Até me atrevo a dizer que poderia ter retirado a sotaina com a desculpa da sujidade, e ter feito companhia às ditas jovens no solário...
Mas isto são apenas especulações para aqui atiradas por uma velha raposa... Vossa Eminência fez o que lhe mandam os ditames de consciência, no sentido de cumprir os votos que jurou cumprir... e a meu ver muito bem!
No fundo, o pensamento que aqui queria compartilhar é o seguinte: a Providência Divina não basta... Como soi dizer-se, a sorte protege os audazes!

Sunday, June 12, 2005

Bardamé?

Olá caros leitores!
Peço desculpa pela ausência prolongada, mas tenho andado a trabalhar... Ser funcionário público tem destas coisas! Estive destacado em Bali durante umas semanas- vida de Diplomata é assim! Enfim... falemos de coisas bem melhores!
A razão deste post é a de explicar aos prezados leitores a razão do nome deste blog. Porquê Bardamé?
É muito simples... É que por vezes pisar merda pode ser extremamente positivo! Passo a explicar.
Há uns anos, estive destacado para a Embaixada Parisiense. Como solteirão inveterado que sou (alguns dirão invertebrado, mas eu não ligo...), fixei residência no boémio bairro de Montmartre. Numa noite quente de verão, passeava sozinho pelas animadas ruas, quando tive o infortúnio de pisar merda. Enquanto insultava mentalmente o proprietário do robusto canídeo e até o próprio animal, não me apercebi duma jovem que se aproximava. Chega-se ao pé de mim, dizendo:
- Dr. Mendonça! Há quanto tempo!
Não reconheci a jovem loura que me abordava, chamando pelo nome, em terras tão distantes. Explicou-me que me tinha visto da esplanada do outro lado da rua e que era uma velha conhecida, filha duma antiga colaboradora minha no Ministério, a Dra. Adelaide. Já se tinham passado alguns anos... mas a memória não me falhou.
-Então o que faz por estas paragens, querida Carmen? O mundo é uma pequena aldeia! E o que é feito daquela adolescente sardenta, de aparelho e totós que conheci em Lisboa? Vejo que os anos lhe foi extremamente favoráveis!
-Dr. Mendonça, o sr. não mudou nada... (riso) Estou a festejar com uns amigos. Acabei hoje à tarde os estudos que me trouxeram aqui e voltarei a Portugal ainda este mês. Mas estou a ver que precisa de ajuda. Venha limpar-se a minha casa. Fica já na rua aqui de cima. Vou só ali buscar a mala.
Era um convite que não podia recusar... estava com as calças num estado lastimável!
Entrou em casa e foi ao seu quarto, segundo disse, para trocar de sapatos. Coisas de mulheres, pensei eu...
Quando voltou, fiquei boquiaberto! Trajava apenas uma lingerie preta diminuta...
Apenas lhe disse, tal era o espanto:" Carmen! Eu tenho idade para ser seu pai!" (E acreditem, caros leitores, que só por sorte nao o tinha sido...)
O decoro me impede de continuar a história.
Mas os prezados leitores poderão compreender a minha mudança de posição quanto a pisar merda. Dá sorte!
A verdade é que a Carmen tem me acompanhado desde então. Depois do estágio profissional que lhe arranjei, tem sido a minha fiel Adjunta por todas estas paragens a que a dura vida de Diplomata me tem levado.
Por isso, caros leitores, da próxima vez que pisarem merda, lembrem-se desta pequena história.

Monday, June 06, 2005

Educação sexual

Há dias a mãe do Alfredo, o jovem que safei do seminário e que, em contrapartida, deu-me o dvd do Gato Fedorento, esteve a falar com a minha secretária, a Dra. Ivete, à saída da missa.
Contou-me a Ivetinha, muito católica, que a senhora estava chocada porque o enfadonho Padre Guterres disse na missa que havia saído no Expresso um artigo sobre educação sexual que achava ser uma pouca-vergonha, falando e incitando a essa coisa diabólica - o sexo e que até falava de algo que era pecado – como essa coisa da masturbação. Como se não bastasse, antes de findar a cerimónia aconselhou todos os fiéis, em nome da moral e dos bons costumes, a ir à internet aqui da Junta de Freguesia e assinar um abaixo-assinado que por lá circula contra essa questão.
Claro que as beatas desta terra fizeram logo fila à porta da Junta para serem as primeiras a assinar, ainda que a Junta abrisse apenas no dia seguinte. Vejam bem que são tão avançadas e modernas que ainda vão para a missa com mantilha e, ainda por cima, criticam a Ivetinha por ir sempre com os seus longos e perfumados cabelos castanhos ao vento, quando não se apercebem que é tudo uma questão de fé, e isso é que é importante!
Não entendo por que se revoltam tanto as pessoas com a questão da educação sexual quando se tratou de um artigo sem qualquer fundamentação legal e, claro, haja cautelas e prudência na sua interpretação. Por outro lado, já que o pudor está na moda e até se está a tornar fino, não vejo muitos desses inúmeros e temerosos assinantes a insurgir-se e criticar pasquins como a Maria e a Cosmo, das revistas mais vendidas em Portugal, que toda a gente sabe ensinarem as leitoras a pinar à doida. Além disso tais publicações também falam de sexo, por exemplo, a Maria é perita em descansar as leitoras que ao verem um urinol, em sonhos ou em realidade, não correm o risco de engravidar! A Cosmo tem artigos que ensinam a felar e a atingir orgasmos múltiplos, e tudo isto por apenas alguns euros… Ou seja, contra essas esvaziadas revistas, susceptíveis de tornar as pessoas algo ingénuas, ou tal fomentar o pinanço fácil – e depois queixem-se! – ninguém se insurge e até acham piada. É muito curioso este Portugal…
Ao menos a Ivetinha não precisa de comprar esse género de revistas…