O Bardamé!

Hélas! Eis a pérola da blogosfera! Passe a imodéstia q é mta! Inspirado obviamente na melhor tradição blogueira, td blogs mui sérios e elevados, o BARDAMÉ!, parte da ideia de q "pisar merda dá sorte", e tem como único desiderato o de cagar em cima de normas de fabrico, padrões de qualidade, exigências de bom gosto, etc e tal, para publicar textos carregados de boutades e mts dislates. Peças de escritores são admitidas, m só se forem boas. Assim é o BARDAMÉ. Bardamé pra isto td!

Monday, May 30, 2005

Le vote


VIVE LA FRANCE!

Thursday, May 26, 2005

Samba

Depois de tê-lo safo do Seminário, o Alfredo ofereceu-me o DVD do Gato Fedorento. Eu não vejo muita televisão, não tenho paciência, e arrumei-o ao pé dos outros, mas a minha secretária, a Dra. Ivete, descobriu-o e ri-se muito ao vê-lo. Agora bem que posso esperar que a Ivetinha me venha desejar as boas noites, quando ela chega ao quarto já estou eu a dormir! E com certeza que fico chateado!...
O certo é que um dia aventurei-me na internet e fui ao site deles e li num post que Fátima Felgueiras havia sido apelidada como “a garota de Ipanema” no Independente e falei disso à Ivetinha, que me disse logo que ela estava era no bem bom!
As mulheres, já se sabe, estão sempre a dizer mal umas das outras e eu respondi, corrijo, tentei contra argumentar, dizendo que não era bem assim e que era sempre difícil estar longe de casa, coitada, muito mais sendo autarca, longe dos seus munícipes. Mas ela interrompeu-me outra vez e disse “«sôtor», autarca-à-distância também eu, ainda por cima a receber ordenado! Que dirá ela acerca dos comentários de Saldanha Sanches sobre a corrupção autárquica? Não me admirava se um dia ligássemos a televisão e víssemos a sambar no sambódromo..."
Achei melhor calar-me e concentrar-me no meu conhaque ou não fosse a Ivetinha ver o Gato Fedorento e eu ficar sem os meus cafunés…

Saturday, May 21, 2005

Choque tecnológico

Aproximando-se o prazo para entregar as declarações do IVA, nota-se já o choque tecnológico prometido pelo governo: todos temos de entregar a declaração do IVA pela internet!
O nosso Primeiro-Ministro chegará aos seus correligionários de Bruxelas e dirá que em Portugal são todos tão adeptos das novas tecnologias que toda a gente entrega as declarações por via electrónica! Fabuloso!
Muito calmamente, e depois de ter pedido à minha secretária, à Dra. Ivete, que me arranjasse a senha, resolvi tentar enviar a minha declaração. O site é muito completo e alegre e, certamente, o objectivo terá sido contagiar-nos com alegria que é pagar impostos ao Estado! Mas fiquei com dúvidas sobre um ponto e tentei ligar à Ivetinha para que entrasse em contacto com as finanças, mas só aí me lembrei que ela tinha ido à talassoterapia, depois ainda ia almoçar com as amigas, tinha cabeleireiro e queria ir fazer as unhas para ficar maravilhosa para me acompanhar ao teatro. A Ivetinha é mesmo muito profissional, a ver se não me esqueço de passar na ourivesaria para comprar-lhe um anel. (E outro para a minha mulher, senão ela chateia-me!...)
Voltando ao IVA, peguei no telefone e liguei. Irrita-me a mania que alguns serviços têm de pedir ao particular que para marcar um número consoante o assunto, esquecem-se que o meu telefone é arcaico, comprei-o num antiquário em Viena, e ainda é de discar, por isso gramei uma nova espera enquanto ouvia Vivaldi electrónico… Quando chegou a minha vez disse que tinha um problema com um dado e mandaram-me marcar outro número, da sede geral, e aí esclarecer-me-iam a questão, pois naquele serviço não tinham competência para fazê-lo. Para evitar o marque 1 para isto, marque 2 para aquilo – só falta marque 3 e vá-se foder! – liguei do telemóvel. Após incessantes minutos de espera, depois de ter marcado o que me pediam ouvi uma voz dizer que face ao elevado número de pedidos, previam exceder o tempo de espera, ou algo parecido e, para mal dos meus pecados, desligaram o telefone, previamente solicitando contacto posterior.
Portanto, é este o choque tecnológico? Será que nas nossas aldeias, e também nas cidades, há dinheiro para ligações à internet, outro tanto para solicitar informações por telefone a quem de direito e, ainda por cima, para sujeitarmo-nos a minutos de espera taxados e ficarmos na mesma?
Saberá o Primeiro-Ministro que há muito honrada gente por este país fora que não sabe ler, que não sabe escrever, desconhece o que é um computador, o que é a internet e, muito menos, uma declaração electrónica?
Eis mais uma das inúmeras promessas de fachada, tão típicas do Partido Socialista. Aliás, o que importa é a estatística para sermos mais europeus, mesmo que na prática, nos assumamos cada vez mais com um país do terceiro mundo.

Wednesday, May 11, 2005

Seminário

Estava eu sossegado na minha biblioteca a reler os livros do Mao Tsé-Tung, a recordar os tempos idos da minha juventude, quando a minha secretária, a Dra. Ivete, bateu à porta e disse-me que um jovem de seu nome Alfredo, habitante cá da terra, estava lá fora para falar comigo. Eu disse-lhe: “Ivetinha, não sei quem é esse jovem e a menina sabe perfeitamente que não quero meter-me na vida dos outros, muito menos na das gentes desta terra. Veja bem que estes maledicentes até dizem que a menina faz de mim o que quer!” e ela respondeu “o Alfredo está desesperado e só quer falar com o «sôtor». Vá, rechoncha, o que é que lhe custa ouvi-lo? Só cinco minutos…” disse, fazendo aquele beicinho ao qual não resisto. Lá disse à Ivetinha para mandar entrar o rapaz e disse-lhe para ela acabar o meu discurso para a inauguração de logo à noite.
Não me vens pedir mais dinheiro para ir às putas, pois não, Alfredo?”, perguntei, e o jovem respondeu “não, «setôr», desta vez quero que meta uma cunha aos meus pais.
Perguntei-lhe o que se passava e o rapaz explicou-me que depois de eu lhe ter oferecido O Capital deixara de ir missa aos Domingos, dava caneladas nos acólitos aquando do jogo de futebol cá da terra, questionava tudo e mais alguma coisa e, a gota de água deu-se quando começou a chamar fascista ao Portas, quando disse aos quatro ventos que abominava Salazar, que achava o Ratzinger um inquisidor dos bons tempos da contra-reforma e que esse conclave não era mais que uma fraude revestida de inspiração divina. Dito isto, os pais começaram aos berros – disse-me que mais pareciam o Manuel Subtil a barricar-se –, que até foram falar ao Padre Guterres, que achava que o jovem estava possuído, e recomendou que o melhor seria que renunciasse aos prazeres carnais e se dedicasse ao espírito.
O «setôr» meteu-me nesta, agora safe-me! Fui lá e só vi homens, nenhuma gaja à vista! E falaram-me que o voto de castidade era sagrado!” A Ivetinha, de facto, é fantástica, o jovem tem mesmo razão para estar apreensivo.
Com a calma que tanto me caracteriza, expliquei-lhe que pelo facto de ir para um seminário não quer dizer que tivesse de cumprir com o voto de castidade – não pinar é que era pecado, de certeza que dava para dar uma escapadinha ao tasco mais próximo e alguém havia de safá-lo – e até lhe dei o exemplo do meu amigo Bispo da Horta, que tem mais “irmãs” e “primas” que qualquer rodovalho! Também lhe disse que a vida de seminarista não era assim tão má, raramente era preciso fazer alguma coisa, tinha sempre acesso a bons convívios e altas comezainas, tinha direito a uma boa casa, cama e roupa lavada, tudo a expensas de outrem, mas isso não era, de modo algum, proxenetismo. Mas avisei-o que se quisesse subir na vida só tinha de saber ouvir e calar para poder a chegar a ter um tacho na pirâmide eclesiástica e, quem sabe, um lugar no Vaticano. Caso pretendesse nunca passar da cepa-torta só tinha de comer e beber, dizer meia dúzia de missas, ouvir umas beatas a falar sempre da mesma coisa e preocupar-se com o campeonato de futebol. Até lhe disse para não se inquietar muito com o facto de os padres terem de pagar IRS porque quando aparecesse um governo de extrema-direita e cobarde, tipo fascista ou mesmo esses esvaziados monárquicos, essa norma era imediatamente revogada. Na eventualidade de ficar nas lonas, como qualquer cidadão que paga impostos para o Estado, teria sempre a hipótese de pedinchar uma côngrua aos fiéis da paróquia e ameaçá-los com as ardentes chamas do inferno caso não contribuíssem.
O certo é que o jovem me disse que não estava assim tão desesperado, que queria ser alguém na vida. Aí caí em mim, o jovem estava cheio de razão. Comprometi-me a pagar-lhe os estudos e todas as despesas aquando do ingresso e decorrer da faculdade. Tenho a certeza que os pais compreenderão esta atitude, nada melhor que um jantar cá em casa para não ser enxovalhado na missa. Espero bem que, ao menos, me continuem a oferecer umas couves de vez em quando.
Na verdade, não há nada que a Ivetinha me peça que eu não faça com prazer.

Sunday, May 08, 2005

Provocação II

Caros leitores, eis que chegou a altura de aqui deixar mais uma provocaçãozinha... como já vai sendo hábito!
Numa cruzada recente de iluminação espiritual, deparei me com este fabuloso site: a página pessoal da recentemente falecida Irmã Lúcia. www.irmalucia.pt.vu
Tenho a certeza que já é conhecida do meu prezado amigo Bispo da Horta. Gostava de saber qual a sua apreciação...
A minha, é que é uma página medianamente bem construída, com muita informação biográfica que nos pode dar uma nova luz sobre a vivência dessa figura de destaque da Fé portuguesa.
Aguardo impacientemente por um comentário.
Com um abraço me despeço...

Thursday, May 05, 2005

Andropausa

Quando me desloquei à livraria onde é habito comprar, fiquei surpreendido quando uma funcionária de olhos muito expressivos me disse: “o «sôtor» não quer oferecer um livro à esposa?” e eis que me mostra um chamado Querida Menopausa. Se aparecesse com esse livro em casa tenho a certeza que teria uma grande discussão com a minha mulher e, à mínima oportunidade, atirava-me com ele à cara, ainda que depois lhe passasse a neura. Depois lembrei-me de oferecê-lo à Dra. Ivete, a minha secretária, mas também não, pois ainda não entrou nessa fase e, caso afirmativo, aí é que teríamos um grande aborrecimento e não quero qualquer sarilho com a Ivetinha!
Olhei para a capa e vi duas senhoras em jeito de conversa proibida. Uma parece-me algo discreta, e a outra completamente frívola! Portanto, suponho que o livro tenha uma parte séria e outra completamente exacerbada. Não faço tenções de lê-lo, respeito quem o faça, mas havia de ser publicado um, de égide, Puta de Andropausa! escrito aí pelo Hermano Saraiva ou pelo Eusébio! Havia de ser engraçado… Com sorte, o La Feria ainda fazia disso uma das habituais revistas…

Wednesday, May 04, 2005

Mc Esbirro

Passada que está a irritação do fim de semana, aqui me apresento de novo para compartilhar mais algumas banalidades com os meus prezados leitores...
O tema de hoje, como não podia deixar de ser, é o Mc Portismo! Fiquei verdadeiramente enojado ao ver no telejornal de hoje aquilo que já sabia há uns tempos por outras vias- a condecoração do (felizmente!) ex-ministro de estado.
Passados que estão os tempos do seu clientelismo pessoal ter estado direccionado para as feiras e para a lavoura, tivemos hoje a prova provada que se havia passado para o lado do capitalismo imperialista norte-americano, como se dizia nos meus tempos de juventude.
Já tem um confortável lugar (ou direi casota?) numa Universidade de Washington, onde lhe serão feitos os últimos retoques do seu treino político (ou deverei dizer lavagem cerebral fast food?). E um disco de lata! Uau! Tudo isto oficialmente. Chegou-me aos ouvidos (ando sempre muito bem informado) que o Departamento de Defesa lhe atribuiu um automóvel e ainda uma escolta pessoal composta por dois Marines. Um moreno e um loiro.
E tudo isto a um preço módico- importação de sucata bélica a que os seus correntes empregadores não sabiam o que fazer! Será que as "novas" fragatas e submarinos também serão matriculados com a letra K, como os Volkswagen's com 20 e 30 anos que nos chegavam de paragens germânicas? É uma boa questão... Ou não. Sucata por sucata, mais valia importar um ou dois porta-aviões da frota nuclear da ex-URSS, daqueles que apodrecem no Mar do Norte, para levar a passear os F-16 obsoletos que temos para patrulhar os nossos céus... Seríamos uma montra tecnológica para o 3º Mundo. E o tão falado choque tecnológico? Teríamos altas probabilidades de o ver concretizado, com um choque dessa tecnologia obsoleta contra um petroleiro de pavilhão filipino que viesse lavar os seus tanques nas nossas costas!
A verdade é uma: daqui a uns anitos, quando me aposentar, também gostaria de ter uma retaguarda como esta. Mas tenho a certeza que para isso não "baixaria as calças" a ninguém! Mas também, para o nosso (felizmente!) ex-ministro, isso nunca foi problema...
Em jeito de conclusão, mantenho o que sempre disse sobre o nosso (felizmente!) ex-ministro: nunca se pode confiar num homem de 40 anos cuja mãe ainda lhe escolhe a roupa. É deveras triste...
Bardamé para o Mc Portismo!

Notícias Magazine

Há dias estava a ler a Notícias Magazine e, como sempre, adoro os artigos do meu amigo Manuel Ribeiro, as Provocações. São espectaculares, então este último sobre a tropa está demais. A Dra. Ivete, a minha secretária, não gosta nada que leia essas crónicas, diz que ele é um machista de primeira, ordinário como tudo, e diz que ele não respeita as mulheres. Eu aí digo-lhe, perdido de riso, “Ivetinha, vá, tenha calma… A menina não vê que ele está a brincar?”, e ela responde, furiosa, “o «sôtor» não tem nada que achar piada a essas coisas. Sei que se farta de rir com o que ele escreve e, sinceramente, não gosto nada quando começa a ler essa revista!” Depois faz beicinho e lá tenho eu de abdicar dessa leitura fantástica e dar-lhe a revista.
O que vale é que me antecipo e meto a revista no meio do jornal, que finjo ler enquanto espero que ela saia da talassoterapia. Então ontem li duas deliciosas críticas feministas contra esse grande cronista: uma delas era de uma dupla feminina, e dizia, com a maior das certezas, que as mulheres conduziam melhor que os homens porque tinham menos acidentes. Claro que me fartei de rir, qualquer homem que se preze, quando vê que um veículo é conduzido por uma mulher, trata logo de reduzir a velocidade e de cumprir escrupulosamente o código da estrada… Mas às vezes pode ser tarde demais!
Portanto, para essas iluminadas senhoras, má condução significa forçosamente estoiro. Ou seja, esquecer um pisca, não dominar o ponto de embraiagem, demorar muito tempo a estacionar (ainda que deixando o carro a meio da via), trancar os carros dos outros, deixar ir constantemente o carro abaixo, não conseguir engatar a marcha-atrás sem prego, etc., isso é conduzir bem, desde que não batam com o carro!
Tenho de despachar-me porque a Ivetinha está quase a sair da sessão das algas – por falar nisso, tenho de ir pagar-lhe a mensalidade do spa – e ainda tenho de levá-la ao cabeleireiro, porque logo vamos ao casino.

Sunday, May 01, 2005

Imbecilidades

Caros leitores, estou de volta!
Estive retirado destas lides devido a umas bem merecidas fé... (hum) ... a uma viagem diplomática, na qual acompanhei o transporte de material para o aquecimento central da nossa Embaixada em Luanda.
Queria partilhar com os meus estimados leitores um diálogo que inadvertidamente escutei hoje à tarde, numa artéria da minha cidade natal: um homem acompanhava a entrada da sua esposa acamada numa ambulância e uma transeunte faz-lhe a seguinte pergunta: "É alguem doente?". O senhor respondeu lhe que sim, e a idosa desejou lhe amavelmente as melhoras.
É incrivel a imbecilidade de algumas pessoas! Mas então não era por demais evidente que se tratava de alguém com algum problema de saúde? Por acaso alguém entra numa ambulância se estiver saudável?
Caso estivesse eu no lugar daquele infeliz marido, a resposta teria sido muito diferente... ter-lhe-ia respondido que nos dirigiriamos para um baile de máscaras. Para uma pergunta imbecil, uma resposta adequada!
É incrivel a capacidade que algumas pessoas têm para afirmar o óbvio. A todos já nos aconteceu, por exemplo, entrar numa loja, encontrar alguém das nossas relações, e essa pessoa perguntar-nos se andamos às compras... Ou então questionar-nos se estamos ali!
Bardamé!
E é em tom de irritação que me despeço...
Saudações Consulares!